sexta-feira, 24 de setembro de 2010

nostalgia.




Essas tardes chuvosas são sempre nostálgicas para mim - O barulho do trovão, os pingos na janela de vidro.Vem o cheio da minha infância, o gosto da minha adolescência, a dor da minha saudade... a falta. Falta de tudo que já passou. Das amizades que eu tive e que perdi, talvez por orgulho, talvez por cansaço. Das tardes vendo desenho, comendo brigadeiro e falando mal da menina da sala ao lado. Das tardes estudando no colégio. Dos meninos que beijei. Dos meninos que me apaixonei.  Das lágrimas derramadas por não acostumar com o pai fora de casa. De toda sexta-feira na casa do vô e da vó. Das minhas aulas de música. Do meu terrível fanatismo por Hanson. Das tardes de bicicleta. Dos banhos de chuva que eu não tomei. Do meu primeiro beijo e aquele banho de chuva, que dessa vez, eu tomei. Da primeira vez que chorei escrevendo uma carta para dizer o quanto o amava. Da minha festa de quinze anos. Das minhas músicas de metal. Do meu sofrimento com a matemática. Do meu cabelo comprido e escorrido. Da minha inocência. Da minha porta toda rabiscada com letras de música. Da primeira vez que sai a noite. De quando eu não tinha nada para fazer a não ser ver desenho animado e ir pra aula. Da primeira vez que bebi até vomitar. De paixões de verão. Dos meus amigos meninos. Da minha super vontade de por piercing. Do meu all star preto e sujo demais para aparecer o FUCK YOU escrito nele. Da primeira vez que usei salto alto. De quando eu virei mais mulher, me maquiava todo dia e ia no salão de beleza todo mês. Da época que problema era não ser muito popular na escola, a mãe não deixar sair e o tal do boletim. Das tardes indo na Lambs tomar sorvete e voltando pra casa pra ver Malhação. Das outras tardes comendo bis branco e tentando tomar um pouco mais de coca-cola que me restava no meio dos meninos. Da casinha da Barbie que eu ia montado em cada aniversário. Dos esfolões no joelho por causa do skate. Dos meninos que se apaixonavam perdidamente pelos meus cabelos. De quando as meninas mais novas me adicionavam no msn para dizer que eram minhas fãs (???). De quando eu e a Su voltávamos da nossa aula de dança e terminávamos com uma lata de leite condensado, sem medo de ser feliz. De quando todas as minhas amigas de 15 anos tinham celulite e eu não tinha nem que apertasse minha perna. De quando eu sonhava em ser mil coisas famosas, sem saber que era algo muito difícil de se realizar. De quando eu caia de roller e machucava a bunda. De quando eu jogava balão com o meu pai, na sala. De quando eu era ímpar nesse negócio de amor. De quando meu pai me levava de bicicleta para a escolinha. De quando eu namorei um menino chamado Murilo e nunca o beijei. Do meu quarto de infância todo azul céu. Do meu quarto de adolescente todo lilás. Da brincadeira de irmãs. De quando eu ficava com febre de tanto medo. De quando meu vô tocava violão e eu e meus primos gritávamos a música: "O DIAAA EM QUE SAIII DE CASAAAAA, MINHA MÃÃÃEEE ME DISSE..." e o no outro dia a vizinhança toda perguntava quem tava cantando daquele jeito. De quando meu pai chegava todo dia com MeM's. Das vezes que minha vó fazia batatinha frita e deixava a gente escolher o sabor do suco de saquinho. Das brincadeiras de power ranger. Do café preto com bolacha maria na casa da vó, com as primas. Do clube de piscinas no verão. Do acampamento de barracas, com a família. De andar de cavalo com o vô. De ir para o Rio Grande, esquecer do mundo, voltar para casa coberta de terra e com um vídeo de uma tentativa de "jornal" e muitas risadas. De quando eu fazia ctg. De quando meu vô contava histórias da sua infância. Dos posões na casa do vô com campeonato de arroto. Dos primos saindo pela casa escura, um com uma vassoura, outro com um cano pvc, outro com uma raquete de tenis e afins, pensando que tinha ladrão. Da época em que ver helicóptero era mágico. De quando eu morria de medo da onda do mar. De andar de balanço. De juntar todos os brinquedos e por no no baú, se não apanhava da mãe. De quando as piadas de louco e de pontinhos eram as mais engraçadas do mundo todo. De quando eu estudava de tarde, voltava de combi e ia assistir tv cruj, comendo cereal. De quando horário era só o de entrar para tomar banho e jantar. Do cheiro do lápis de cera. De quando meu filme preferido era Matilda. De quando eu ficava sentada na cama imaginando como eu ia ser quando crescer (cabelo comprido até a cintura, vestido lilás de flores e dona de uma floricultura)... são muitas lembranças. Estou muito nostálgica nesses últimos dias.
Agora já tenho 20 anos. E que idade estranha essa. Não é adulto e nem adolescente. É muito cedo para algumas coisas e já tarde para outras. É hora de pensar em filhos e faculdade. É hora de ter um amor para casar e sair com as amigas. O mais fácil é dizer que é uma idade "meio termo". É o começo de uma nova fase e final da outra, mas não muito marcada, as fases ainda se entrelaçam umas nas outras. É bom ter 20 anos. Estou trabalhando, tenho meu ap, irei me formar em algo que eu adoro, penso em ter filhos, encontrei o amor da minha vida e estou praticamente casada... só algumas coisas não mudam:  a casa do meu avô, junto com meus primos, é o melhor lugar do mundo; ainda amo MeM's; minha cor preferida para tudo, inclusive para quartos, é lilás; às vezes como leite condensado sem medo de ser feliz; e ainda gosto e muito, de desenho animado.


Tudo que vai
Deixa o gosto, deixam as fotos
Quanto tempo faz
Deixam os dedos, deixa a memória
Eu nem me lembro mais
Fica o gosto, ficam as fotos
Quanto tempo faz
Ficam os dedos, fica a memória
Eu nem me lembro mais





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