terça-feira, 11 de janeiro de 2011

de hoje em diante.













Meu blog anda sendo casa de reclamações....

E aí, que eu tive que voltar para casa. Voltar para o médico, voltar para o raio-x, voltar para as lágrimas. Fechar os olhos e mergulhar na minha própria tristeza. "Tem pessoas que estão por ai de cadeira de rodas!" - não, isso não vai me consolar ou talvez fazer com que eu lide melhor com a minha dor de descobrir mais uma falha em meu corpo. Assim que encaro... uma falha. Uma única vértebra, a última, perdida em toda a extensão da coluna. Apenas uma, causando muita dor e várias limitações.
Quando ouvi que tenho uma "pequena deficiência" na coluna, meu mundo caiu. Foi como ter levado um tiro ou como se alguém tivesse arrancado alguma parte do meu corpo e corrido para esconder. Até agora não consegui encontrar mais essa tal parte, mas ando me acostumando com a ideia de tê-la perdido.
Bem, e é ai que vem as lágrimas, a dor, a falta de ar... Ai que vem a parte de se sentir inútil por ter que levar uma vida cheia de limitações até o final.
Talvez seja errado da minha parte, reclamar por algo tão pequeno, perto de alguns problemas que muitos têm, mas quando é com a gente, a coisa fica diferente. Acaba dobrando de tamanho e toma proporções gigantescas em nossa mente, enquanto martela e machuca lá dentro da alma.
Vida normal eu sempre soube que não levaria. Nasci com luxação congênita no quadril e já operei duas vezes o lado direito. Minha bacia não aguenta muita coisa e meu fêmur é quem reclama. Quando eu era menor, essas coisas não me incomodavam, talvez porque eu não entendia direito o que vinha pela frente. Hoje, que trabalho, pego ônibus, limpo a casa, é que sinto e passei a entender perfeitamente. Coisa que me incomoda muito hoje também, são as duas cicatrizes que ganhei ainda bebê e que cortam a minha coxa até a minha cintura. Nunca me incomodou, juro. Elas sempre foram parte de mim, sentia como se tivesse nascido com elas. Mas agora, evito me olhar no espelho. Algo que machuca, rasoavelmente... Mas voltando para a vida normal... Nunca tive. Sempre tive limitações, sentava com as pernas dobradas, enquanto meus coleguinhas na escola, sentavam na tal "perna de índio". No balé, então com 10 anos de idade, veio a vergonha de não conseguir fazer nem a metade do que as outras meninas faziam. Limitações, limitações...
Como já disse, nada demais, mas quando é com nós... Enfim, ainda estou na fase de me acostumar com as limitações, aprender a conviver com elas. Mas ali, do meu quadril. Nada mais do que isso. Só as do quadril. Meus cuidados, minhas dores, minhas limitações. No dia 17 do mês passado tive fortes crises de dores nas costas. Até hoje essas dores ainda não passaram, mas agora eu já sei o que eu tenho. A tal deficiência na última vértebra. Se não bastasse, minha coluna reta, sem a curvatura que todo humano normal possui. E ai, ganhei a osteopatia, o RPG, os remédios e a notícia que me causou a sensação de inutilidade: proibida de fazer serviços domésticos. Ou seja: nem se quer, uma vassourinha na casa. Chique, como diz meu médico... agora vou ser uma mulher chique, de salto alto e unha feita. Deveria consolar? É, deveria. Mas só machuca. Machuca saber que isso é algo que não tem cura. É pra vida toda. Vértebra não fecha, ela só melhora se você cuidar, mas sempre vai dar umas crises. Crises de muita dor.
Trabalho apenas 4 horas por dia, sentadinha, numa boa. E ai? 4 horas sentada, vem sendo um veneno. Se nem 4 horas sentada eu posso, o que poderia eu fazer? E a bicicleta? Eu adoro muito andar de bicicleta. O que posso fazer? E exercícios físicos? E viver?
Posso contar um segredo? Me assusta terrivelmente perder meu amor. Podem achar até um exageiro, até eu acho, bem lá no fundo, eu acho mesmo. Mas ali na minha mente, tenho medo de perdê-lo. Perdê-lo por ser toda cheia de problemas. Probleminhas ou problemões... estou sempre com dor, sempre reclamando e tomando meus remédios. Sempre pedindo para parar com a caminhada. Sinto que sempre vai ser eu a chata do rolê, pedindo para ir embora porque nem se quer aguento comigo mesma. Peço que me ame muito e que nunca pare de querer me cuidar ou ficar comigo curtindo meus altos e baixos. Mas se quiser sair pela porta, tudo bem. (Olha o exageiro, mas é bem assim que estou me sentindo. Vai passar, eu sei que vai.)
O problema aqui é que é tudo muito novo para mim. Nunca imaginei ter algo a mais do que o problema no quadril. Nunca esperei sair do médico e me acabar em lágrimas no abraço da minha mãe, por ter ouvido algo que não esperava ouvir. Mas a vida é assim, não é? Hoje bem, amanhã não se sabe.
Tenho certeza que daqui um tempo irei ler esse post e achar tudo uma grande bobagem e um exagero sem fim. Mas enquanto a novidade me anda dando calafrios, dores de estômago e choros escondidos, é bem assim que me sinto. Uma inútil, em vários sentidos.

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