sábado, 5 de fevereiro de 2011

despedaçados.



Hei :)
Ando fazendo umas sessões de leitura biológica, na verdade, não é esse bem o nome, enfim... eu, Andressa, tenho 20 anos e 20 tipos de traumas. Relacionamento nunca foi o meu forte e eu sou completamente traumatizada com a coisa. Vou contar um segredo... não consigo falar que amo meu namorado, assim, pessoalmente. Não me faça pergunta difícil, tipo, o por que dessa idiotice e tal. Eu só não consigo. O que, claro, é bem diferente de sentir. Porque amo ele muito e olha, sinto uma vontade imensa de falar que o amo todos os dias, mas só não sai, sabe? Ele já falou algumas vezes e todas elas foram especiais, lindas, inesperadas e que eu nunca vou esquecer. Assim, bonito mesmo. Nada de "ah, eu te amo", algo previsível. O negócio é que nenhuma das vezes eu respondi de volta, só ficava sentindo o poder daquelas palavras em mim. Adorei demais ouvir, todas as vezes. Mesmo que poucas, foram muito especiais. Mas eu, ah, eu não consigo. Tenho até uma raivinha disso. E como disse, não sei o por quê. Parece que algo prende, é realmente difícil de falar. Mas pronto, contei o segredo, agora me deixa aqui com essa idiotice. E eu o amo, muito.
Então, essa leitura é para liberar alguns traumas que eu tenho. Na sessão dessa semana, tinha um menino antes de mim e ele deixou que contassem a história dele. Bom, não foi bem com ele, mas ele guarda um trauma muito grande. Foi com o pai dele, na verdade. O cara serviu o exército por muito tempo e tinha um irmão alcoólatra. Um dia, quando ele estava voltando de licença, entrou na casa dos pais e viu esse irmão batendo com um pedaço de pau nas costas de seu pai, já idoso. O pai, velho e fraco, estava no chão e quase morto, de tanto levar pauladas de seu filho totalmente bêbado e fora de si. A mãe, velha e indefesa, ao ver o filho voltando do exército e com uma arma na cintura, só conseguiu gritar para que ele atirasse, porque seu esposo estava morrendo. Ele, acostumado em receber ordens no exército ao ouvir: "atira, atira logo, só atira", não pensou em mais nada e atirou. Resultado: matou o irmão e salvou o pai. Mas, matou o irmão. Não foi um ato muito consciênte, mais pelo costume de fazer o que mandam. Hoje, a família não fala mais com a família do irmão morto, que tem esposa e filhos.
Complicado, né?
Nossos traumas, por mais que pareçam ser pequenos perto de outros gigantescos, sempre serão nossos traumas. Ela me contou isso antes que eu deitasse na mesa e começasse a sessão, mas nada fez apagar a intensidade da luz da sala, que estava na minha cena traumática. Claro que os meus traumas, não são nada perto do que passa na cabeça desse pai e desse filho. Mas eles são meus. Pequenos e insignificantes para muita gente, mas para mim, é o suficiente para fazer todo o estrago que eles fazem no meu dia-a-dia.
Mesmo sendo tão pequenos, não é motivo para eu tratar com uma besteira e ai, prometo que irei cuidar, para que eles desapareçam. Desapareçam na mesma intensidade que a luz da sala da minha casa, quando meu pai foi embora, ficou mais fraca depois que terminei a sessão.

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