segunda-feira, 2 de maio de 2011

500? dias com ela.

"Que hábitos mórbidos os daquela dor: passava o dia cerimoniosa à espera da calada da noite para tomar posse da coluna vertebral e engendrar a crueldade de desaparecer de imediato, assim que o corpo mudava de posição na cama, para retornar com toda a intensidade em menos de dez segundos."
O Médico Doente - Drauzio Varella.

Então, quanto tempo eu não passo aqui. Mas que vida hei de estar levando, não? Nada mudou por aqui. Aliás, se mudou alguma coisa, me limito ao pensar. Ou talvez, não consigo enxergar que algo tenha mudado ou acontecido. Só durmo e acordo com uma dor nas costas terrível, causada por um tombo que aconteceu naquela terça-feira, dia 19. Um tombo no chão do quarto, que conseguiu tirar todas as minhas forças restantes e machucar os únicos lugares da minha coluna, que ainda estavam no lugar. Bater o cóccix é uma experiência que não desejo à ninguém. Virar três vértebras é outra coisa que não desejo, nem em meus sonhos. Virar vértebras... para um médico, não é algo comum, mas comigo acontece. Para outro, se isso acontece, leva a pessoa a usar cadeiras de rodas. E ai? Só sei que não faço mais nada a não ser deitar, tomar remédios e esperar passar. Três vértebras "viradas", uma pressão infinita nas costelas e uma dor gigantesca na lombar, que parece comer todos os meus músculos, órgãos, peles, tecidos... parece perfurar até a alma. Lá vão completar cinco meses de dor, dois de tratamento e dias que parecem nunca acabar. Não podia cair de cara no chão? Tinha que cair de costas?
Há aquelas pessoas que acham que eu sumi porque melhorei. Melhorei? Melhorei do que? Meu dia se resume só nesse estado doloroso em que se retém. Não penso em mais nada, como disse, nem sei se consigo pensar em alguma outra coisa que não seja a chance de ter que voltar para a casa de meus pais. Largar tudo aqui e voltar. Voltar para me tratar. Não é falta de consideração, não parei de falar sobre a minha vida porque melhorei algo ou que talvez esse algo nem tenha mudado. É só a preocupação, a tristeza e o medo de não conseguir me recuperar pela minha fraqueza nos ossos, no sangue e nos músculos, e ai, com 30 anos, eu não ter mais coordenação motora. Compreensível? Assim espero que seja. Continuo aqui, minha amizade também, mas agora ela vai estar deitada ali na cama e tremendo de dor por algumas horas. 
500, 400, 700, 1000 dias com dor nas costas. Até quando?


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